domingo, 22 de abril de 2007

Quero ressaltar aqui a importância do fracasso do atual governo norte-americano, que consiste no fato de que ele encarna a visão de mundo de religiosos conservadores, cujo prestígio declinará juntamente com o dele. Na concepção destas pessoas:
a) os EUA são a maior potência do mundo em virtude da sua relação de cumplicidade com Israel ("abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem");
b) os opositores do atual governante americano - que, indiretamente, também governa o mundo - são blasfemos porque, segundo a Bíblia, "as autoridades são instituídas por Deus";
c) Israel não deve devolver as terras aos palestinos porque elas lhe foram concedidas por Deus (trata-se do Grande Israel bíblico);
d) os israelenses (filhos de Sarah) não devem buscar a paz com os árabes (filhos de Hagar) porque "quando todos disserem 'há paz', eis que é chegada a repentina destruição";
Como se não bastasse, elas ainda se opõe ao progresso da ciência (como na questão da pesquisa com as células-tronco embrionárias ou do ensino da teoria da evolução nas escolas) e nutrem um enorme desejo de reverter a liberalização de costumes do séc. XX.
Até a filha do pregador Billy Graham foi a um talk show televisivo dizer que "Deus permitiu o ataque às Torres Gêmeas" porque "o povo andava afastado da sua Lei". É uma concepção parecida com a de clérigos muçulmanos da Indonésia, que argumentaram que o Tsunami de 2005 foi um "castigo de Alá" derramado sobre "o seu povo", que andava se misturando com os "infiéis ocidentais" e absorvendo sua "liberdade de costumes".
A consequência disto será que, em todo o Ocidente cristão, onde houver conservadores (religiosos), eles ficarão sem forças para defender suas posições, pois estarão previamente desacreditados perante o resto da sociedade. Conservadores sempre existirão, mas depois disto, as coisas nunca mais serão as mesmas.
Bush acabou nos fazendo um grande favor: nos próximos dois anos de seu mandato, veremo-lo sangrar até o fim, levando consigo ao descrédito o mesmo conservadorismo religioso que ele representa.

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